segunda-feira, novembro 05, 2007

A Arte da Guerra.

Entendam, não gostamos de mudanças. Muito menos quando você domina um território, influencia as massas, você está levando todos um passo além na compreensão do mundo e simplesmente te dizem pra mudar. Não, isso não está certo. Manter as aparências pro coveiro, tudo bem. Mas daí a aceitar o plano dele já é demais. Um porco como ele não deveria nem ter um pedaço de chão na cidade. Se fosse mortal não merecia nem um pedaço de lixo pra poder catar sua própria comida. E eu não vou deixar mais um merda desses me dizer o que fazer na minha cidade.
E a propósito. Por falar em comida, eu não devoro taxistas. Odeio taxistas. Odeio aquele remorso que agente sente depois de matar um pai de família.
_Uma coisa: Nós não vamos sair daqui porque uns merdas tão atrás da gente. Segunda coisa: nós não somos criancinhas da noite mais, pelo menos não por dentro. Temos idade e todos sabemos que é só achar uma ponta que achamos o resto. Parece que vocês não entendem a Visão quando ela vem...
Dei uma pausa no sermão. Apesar de ser o mais novo em idade, eu era o mais velho na Visão. Todos nós temos. É só você procurar direito dentro de si. Não que alguns tenham mais que outros, não! ISSO é mentira. Todos temos a mesma capacidade, só que alguns sabem usá-la e a maioria nem sabe que tem. Ou não acredita.
_O que vamos fazer é uma pesquisa. Pra começar vou buscar meu carro novo. Vamos nos separar e dividir tarefas... Vejo um futuro negro logo esta noite, à nossa espreita. Desde que saímos de casa. Até amanhã haverá um Sol no meio, onde temos a maior chance de irmos encontrar nossos pais. Lurya, você deve reunir força bruta. Não to falando de chamar monstrinhos com seus cachorrinhos, to falando de VOCÊ ser a força bruta. Quanto menos gente souber, melhor. Will, você vai ter que conseguir uma reunião instantânea no Elísio. Use sua influência superior... ou qualquer coisa do tipo. Sei que há um espião Autarca dentro da camarilla, com ele lá dentro, podemos achar a rede até onde estão nos caçando.
_E onde a força bruta entra nesta história, querido Viktoor? A propósito, você não precisa mais ser esse japonês ridículo.
_O Elísio não é um lugar onde se deve caçar confusão querida Lurya, você pensa certo. Mas ninguém espera que você vá fazê-lo. Ainda mais alguém com poder pra sobrepujar a vontade da maioria dos presentes. É assim que começam as guerras. E é assim que vamos começar uma guerra pra evitar que eles comecem uma contra nós. Eles não tem o menor direito sobre MEU... quer dizer, NOSSO território. Como membros do conselho dos 9 dentro dos independentes da cidade, nós temos todo o direito de estar aqui como o acordo de Haxisis previu. Nem o Sabá nem a Camarilla tem o direito de quebrar esse acordo, porque somos nós que resolvemos os problemas deles, sempre.
Uma coisa sobre guerras: Se não puder evitá-las, comece. O primeiro passo é sempre o mais importante.
Assim nos dividimos às 22:22, eu peguei um táxi e saí sem pagar mesmo, corri até meu recém "comprado" corolla e andei até a casa de um de meus queridos filhos: McClair. Ele era impulsivo, alto, imponente, como se sua mãe tivesse sangue azul e eu lhe passasse o dom da Visão. Ele era poderoso. Sim, muito. Não conhecia ninguém na cidade com a capacidade dele de entender os rituais de nosso clã. Rituais de sangue, magia negra e coisas do tipo. É por isso que dizem por aí que todo mundo teme um tremere. Nunca se sabe que tipo de feitiçaria ele pode fazer com gravetos e um pouco de óleo.
Assumo agora minha forma real. Um francês de 1,68 de altura, cabelos ruivos lisos até pouco depois do ombro, olhos deliciosamente azuis. Meu estoque de roupas sociais ficava com McClair, porque ELE entendia quando eu ia sair pra alguma coisa importante. Me vesti como um nobre, com luxo e pompa de botar inveja em qualquer marajá. Impecável naquele traje negro que sob certos ângulos ficava vinho ou vermelho. Nada de sobretudo, só uma capa de vermelho sangue com dourado envelhecido, quase cobre. Nada mais majestoso para um ventrue vestir.
22:50
Me dispeço de McClair. Não vim para conversar hoje. Eu simplesmente cheguei e ele me perguntou se eu preferia o terno azul ou o vinho. Bom filho. Bom filho. Talvez o melhor.
23:12
Me dirijo ao Elísio. Uma mansão azul e branca adornada ao estilo colonial inglês. É a casa de "campo" do príncipe. No meio de um parque industrial, onde ninguém suspeitaria de nada estranho, e onde estamos "protegidos" dos Lupinos. Uma área cercada por um pequeno lago. É lá.
Mal chego e sou recebido com toda a honraria, meus cabelos presos num laço de setim verde em um broche prata, eu com uma bengala, quase um cetro, me portava como um perfeito ventrue.
_Boa noite senhor Viktoor, é um prazer tê-lo aqui.
_Ui ui, Mes chers... Una bela noche vista aqui di cima. Ui, ui.
Entrei e fui bem recebido pelos anciões. Estes sabiam que eu tinha a Visão, então me temiam como se eu pudesse mordê-los a qualquer momento com uma previsão.
Henni, Joacim, Kevla, Jonas, Amadeus e Für. Eu já havia convocado uma reunião de cúpula mais cedo. Sim, quando eu disse aquelas coisas para o meu querido Alísio, ele reportou aos anciões e eu já esperava essa reunião de cúpula. Tanto que nem me chamaram. Mas eles nunca me chamavam. E eu sempre estava lá.
_Bonne nuit! Vous seigneurs, devem saberr de um spi. Já. Sim. Suponho. Le perdant caminharrrá porrr esta porrta em instant. Saibam que és un prrrotegido meu. E se alguém deverrá eliminá-lo, este alguém serrei moi!
_Caro Viktoor, nós não estamos aqui para discutir sobre traidores. Estamos aqui para falar sobre A Voz e o que faremos com ela se ela simplesmente não se calar até o fim da semana. Há uma caçada eminente contra os independentes, e uma suposta invasão do sabá. Não sabemos qual história é verdade, sabendo que ambas provém da Voz. Nossos espiões não dizem nada sobre o sabá. Eles estão irrequietos, e isso é um sinal de normalidade. Já uma caçada aos independetes, isso não está sob meu conhecimento.
_UHmpf. Monsigneur... mil perrdões. Mas aqui, neste Elísio as rregrras sobrre les secrets non estón mui prresent. Há dois spi aqui aujourd'hui, cette nuit. Um é dos Pauvres de l'esprit, outrro é dos maire. Posso lhes adiantarr, monsigneurs, que um destes é encharged.
O príncipe Maximilliano me olhou com um olhar estranho e nos encaminhou da recepção de sua casa até a sala de reuniões, uma sala fechada com uma mesa para 13.
Todos ficaram perplexos com revelações que eu fiz. Afinal todos teem a visão, só não sabem usá-la direito. Quando alguém diz algo que você já sentia no fundo da alma mas que não levava em consideração é muito mais surpreendente.
Apenas Maximillian permaneceu exatamente como estava, nos olhando sobre os óculos com uma cara nada boa. Aquela guerra não demoraria mais do que segundos pra se extender até nós, e logo até o resto da cidade. E eu era o anarquista independente. A Arte da Guerra, trata-se disso.
Os outros sentaram-se meio irrequietos, parecendo esperar uma decisão do príncipe.
_A Voz. Este é o problema. Ela está presente em todos os lugares. Inclusive aqui entre nós... esta noite, neste recinto. - Um murmúrio geral começou depois disso - Ela pensa que não podemos controlá-la, nem que não sabemos quem ela é. Mas ELE está errado.
_Senhor, ousa acusar um dos anciões assim levianamente? - Amadeus, o toreador replicou com um ar de babação de ovo.
_Não estou acusando ninguém. Ele se revelará para nós.
_Até parrece que monsigneur aprrrendeu a usar corretamente sua visão meu lorrrde - eu tentei puxar um pouco o saco, estava receoso, mas ainda não com medo.
_A noite será loooonga. Muito loonga...
Will e Lurya chegam nesse momento. Havia muitas revelações a fazer.
_Tenho coisas a dizerr ao conselho, monsigneurs. Mensagens das rruas. Grrritos que ouço na minha cabeça. Quis parrrticiparr do conselho ceste nuit porrrque moi non querrr serr crrucificado. Moi está do vosso lado, como semprrre esteve. Prrecisamos nos unirr más do que nunca.
_Senhor Viktoor, sabemos que o senhor espalha mensagens para os membros e que causa o caos na minha cidade. - Respondeu Maximillian, rispidamente.
Kevla, o tremere, que não gostava muito de mim desde o princípio se levantou e proclamou:
_Por decisão unânime do nosso conselho, recomendamos que o senhor Viktoor D'Kranmps Avoulère deixe a cidade hoje, e só retorne, no mínimo, até o fim da semana. Por medida de segurança, para o senhor e seus perseguidores. Sabemos de sua condição dentro da cidade e não desejamos fragmentar mais ainda nosso poder com a perda de um sub-conselheiro, que é o senhor. Então até que se resolvam as suas "profecias" de invasão do sabá, e outras coisas mais, o senhor deve deixar o solo da cidade e não causar mais problemas. Quando o senhor retornar, haverá outro conselho como este.
Estou atônito. Não consigo acreditar em nada do que me foi dito nos últimos segundos.
Lágrimas de sangue rolam pela minha face. Lágrimas de ódio. Hora de uma recuada estratégica.
_Digo só uma coisa aos senhores, já que estou de partida: Seus olhos podem ver um grande lorde, mas dele surgirá a ruína de chicago. A traição é a mais bela das artes da guerra.

Conhecimento profundo é 'saber sair sem passar pela porta, ver o caminho do céu sem olhar pela janela'. - Sun Tzu, A Arte da Guerra.

4 comentários:

Gustavo "Suna" Lyra disse...

encharged = encarregado mesmo
Há dois spi aqui aujourd'hui, cette nuit = Há dois espiões hoje aqui, esta noite
Um é dos Pauvres de l'esprit, outrro é dos maire. = Um é dos pobres de espírito e o outro é um autarca.

Gustavo "Suna" Lyra disse...

á
só uma coisa que ficou meio implícita, pra entender melhor:
como sou sub-conselheiro, não tenho direito de resposta contra os anciões.

~ Lurya. disse...

duuhh
alá ele fingindo que é humilde xD

vô explodir todo mundo na minha vez e sair correndo \../

ihuuu

dHASIUDHAisudhAISUDHaiusdhiUAH

Gustavo "Suna" Lyra disse...

eu só falei isso pra não acharem estranho de eu simplesmente ter saído sem reclamar nada xD