Devem estar achando cômico um ser de mais de 200 anos, ouvindo canções de roda, não é? Pois bem, eu dedicarei minutos de meu tempo a lhes explicar um pouco sobre meu belo passado...
No dia 9 de novembro do ano de 1797, a pequena filha de um nobre que se apaixonou pela carne de uma belíssima camponesa, vem ao que os mortais chamam de vida. Despensados demais comentários sobre meus pais mortais, pois estes não me ensinaram muito e não contribuíram muito em minha história. O único a ser lembrado de minha vida mortal seria o amigável e inteligente, Kenny.Para falar de tal importância eu até mudo o parágrafo de meu longo relato pois,a medida que forem lendo este capítulo de minha biografia, concordarão comigo.
Kenny era simplesmente apaixonante. Se naquela época, com meros 8 anos de existência, mesmo que mortal, eu soubesse o significado de uma paixão ou amor, eu diria que amava tal criatura. Foi ele quem me ensinou tudo que meus pais deveriam ter me ensinado: como se vestir, como conversar, como controlar os impulsos de uma jovem menina, como arrumar meus cabelos de forma que eles dessem maior realce aos meus olhos negros, como me deitar na cama de forma a ter um descanso maior com poucas horas de sono, e qualquer outro detalhe que uma criança aprenderia com minutos passados com sua mãe. Meu pai, Walter, totalmente corrompido pelas terras e escravos que possuía, só me ensinara como se pegar em talheres e como tratar superiores, sempre dizendo: "Sim, senhor" ou "Perdão, senhores", e demais frases do tipo. Minha mãe, nunca cheguei nem a saber de seu nome. Meu pai esperou que eu nascesse para ver se nasceria com feitos nobres, caso contrário forjaria minha morte como forjou a de minha mãe. Ele nunca aceitaria uma camponesa ignorante sentado ao seu lado junto aos demais nobres da vila numa mesa de jantar. Enfim, voltemos a falar de Kenny...
O conhecimento de sua existência era restrito aos adultos que moravam com ele na bela mansão,que ficava num canto abandonado da vila, e a mim. Ele costumava marcar horários comigo próximo a um parque abandonado. Eu demorei um tempo pra conseguir ver os traços de Kenny com exatidão devido aos horários que a gente normalmente se encontrava. Sempre antes das 5 da manhã ou após às 7 da noite. Na verdade, eu simplesmente sabia que devia ir ao parque em tais horários pois ele sempre estaria lá me esperando. Kenny foi meu único amigo, minha única diversão e minha única graça durante um ano. Eu o conhecí exatamente no dia em que completei 7 anos. Me lembro como se fosse ontem...
A noite era fria na pequena cidadela próxima a Londres. meu pai daria um festa pois gostava muito do número 7: era o número de centenas de escravos que possúia, era o número de burgueses que possuía como fornecedores de sei lá o quê e o número de lotes que possuía com o clero local. Eu, me sentindo totalmente deslocada em meu próprio aniversário, fugí em direção a esse parque e conhecí o ser que mudaria o que eu chamava de vida. Depois voltei a minha residência, é claro, e dei uma desculpa qualquer a meu pai que, de qualquer forma, mal notara minha ausência.
Durante exatamente um ano, minha vida seguiu esse rumo. Kenny me moldou de forma tão radical que eu, em um ano, crescí 50.
Um ano depois e chegara meu aniversário de 8 anos. Dessa vez o plano era outro: durante a festa,eu pegaria alguns pertences e fugiria com Kenny para sempre. Para sempre...
...Sim, esta foi a noite de meu abraço e a partir daí, eu e Kenny viveríamos nossa infância juntos para sempre. Eu e ele, juntos. Com a mesma aparência de 8 anos, pelo resto de nossa existência.
Nesses filmes de romances que se fazem aqui nos Estados Unidos, realmente acontece assim.
Após algum tempo, eu e Kenny nos mudamos pra NY e lá, terminou toda minha bela história de romance.
Sempre detestei rebeldes, jovens e adolescentes. Ódio maior só é superado pelo ódio que eu tenho de membros com essas características. Brujah's. Resumindo tal tragédia devido ao meu atraso... Numa bela noite de neve e fim de ano, eu esperava meu querido Kenny voltar de algumas 'compras' quando eu sinto uma terrível dor e resolvo ir a procura de meu amado. Quando o achei já era tarde demais. Garras e fogo haviam consumido seu corpo e já não havia vitae correndo em sua carne nem o brilho gélido que seus olhos possuíam... A partir dessa noite, meu ódio e desprezo por tais coisas imundas, só aumentara.
Ah, querido leitor! Permita-me ausentar pois já estou demasiadamente atrasada! Já são quase 9 da noite e marquei com meu amigo Vic há alguns minutos passados. Continuarei a trágica história assim que puder. Ah, não! E ainda tenho que arrumar estas unhas e estes cabelos. Se o querido Kenny pudesse me ver desta forma, ele se decepcionaria! Onde está mesmo aquelas luvas confortáveis...?
~ Lurya.
Um comentário:
eu queria ter alguém como o Kenny na minha vida... x.x (menina, de preferência)
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