domingo, novembro 04, 2007

Espadas Cruzadas

20:40.
Odeio estar fora do tempo. Droga. Abro outra rede:
_O que ele quis dizer? - um cainita mais novo perguntando

_Dizem que temos uma invasão do sabá, disseram para fugir. Vamos nos reunir no refúgio do coveiro, lá decidiremos o que fazer. - esse se chamava Alisio, eu conhecia sua voz, era um respeitado ancillae que costumava estar certo e ajudar bastante a cidade. Ele me pagava por informação.
_O coveiro está cavando essa noite, os membros devem ir ao motoclube sul. - Eu disse com um sotaque irlandes, disfarçando a voz.
_Quem é? Você sabe onde está a Voz? - Eu era chamado de "A Voz" pois fazia uma boa imitação de Frank Sinatra enquanto rogava minhas frases pela rede. Outra coisa que esqueci de dizer: Não sou velho, fisicamente... normalmente não.
_Estou com ele à vista. Tenho certeza que é ele. É um velho, parece daqueles atores de filme.
_Me disseram que ele é uma criança! - o mais novo se intrometendo na conversa.
_Pelo que sei ele nunca está numa mesma forma, nunca está num mesmo lugar, e alguns dizem até que ele desaparece em um lugar e aparece em outro. - Alisio sabia mesmo das cosias, mas não tinha certeza de nenhuma. Partircularmente eu gostava de Alisio.
_Vou me aproximar dele e ver o que posso descobrir.
_Não! Ele odeia proximidade com outros membros! Não! - Alisio era realmente esperto, mas não me conhecia.
Parei de falar, como se eu estivesse "off", e deixei os garotos discutindo.
SEMPRE devo dar uma espiada logo depois de disseminar a mensagem para ter certeza sobre o que os cainitas entenderam. Não gosto de especulação... haha.
20:50
Enquanto meus amigos não chegam vou ganhar um pouco de dinheiro honesto... Sentado num banco de praça, tiro algumas cartas de baralho e distribuo-as sobre a mesa de damas.
_Alguém quer tentar a sorte contra um pobre velho que precisa de dinheiro para comer esta noite?
_O senhor não é pobre! - um garoto se sentou e começou a me encarar.
_Mas ainda preciso de dinheiro para comer esta noite!
_Porque não vende seu sobretudo belo, de veludo negro?
_Ou a fome, ou o frio. Às vezes temos que fazer uma escolha não?
_Tudo bem... tudo bem então... que o tio tem aí?
_Uma partidinha de poker :D
_Mas assim?
_É, 10 fichas pra cada, quem ganhar tudo leva a aposta.
_Ah... quanto quer apostar tio?
_Não tenho dinheiro lembra? Eu aposto meu relógio. Serve?
_Ha! Não, de jeito nenhum! Aposte algo decente.
_Olha bem pra minha cara filho... quer que eu aposte oque? Meu BMW que tá estacionado ali na esquina, ou meu prédio de apartamentos, logo atrás de você? Eu sou um pobre velho que mal tem um sobretudo de veludo para se aquecer porque acabei de ganhar em uma aposta.
_O senhor tem cara de ser bom...
_E o que faz diferença eu ser bom, estou com fome, ninguém consegue jogar poker com fome! Tudo bem então, vamos fazer uma aposta mais fácil... Eu te digo o que acontecerá com você daqui a 5 minutos e você me paga se eu estiver certo.
Não preciso dizer que ele aceitou... 5 minutos depois eu estava no carro dele, dando voltas no parque. Disse a ele: "Saia" e ganhei um corolla semi-novo. Logo venderei.
21:03
Parque municipal. Cheio de árvores pra todos os lados, enquanto eu dava voltas com o carro vi os dois chegarem e sentarem onde havíamos combinado. Parei o carro numa distância segura e fui caminhando até eles. Em meio às árvores os dois já me esperava há alguns minutos. Maldita sensação de estar sendo seguido. Sei que há um atrás de mim. Espião, da camarilla talvez. Mas não consigo vê-lo de modo algum. Sinto seu cheiro, ouço seus passos, mas nada de vê-lo... Isso começa a me irritar.
Faço um aceno para a garotinha e o rapaz a uma meia distância. Logo eu senti a presença de novo. Estranho, como um verme que sabe que não pode te devorar inteiro, mas fica lhe seguindo esperando até você morrer. Vi um vulto pairava sobre uma árvore logo atrás deles, a luz de um poste atrás da árvore ofuscava minha visão normal, mas eu podia ver, em um relance, uma silhueta verde pálida, comecei a correr em direção aos dois.
Eles também já o sentiam, viraram calmamente para trás e olharam bem na cara do espião. Brujah.
Ao mesmo tempo, Lurya e eu tivemos uma reação igual:
_Maldita ralé!
Will estranhou a figura aparecendo do nada num encontro a três:
_Mas o que a ralé vem procurar num encontro fechado?
_Os senhores devem vir comigo. Há muito a ser explicado, sabemos tudo sobre vocês. Principalmente sobre você velho.
Eu me detive por alguns instantes. Dizer que "sabemos tudo" logo de cara é insegurança de quem não sabe de nada. Ou excesso de confiança de quem sabe algo.
_Lurya, deixe que eu resolvo, acalme-se. Não vamos querer corpos sem ossos pelo caminho de novo não é? - eu estava apenas intimidando o garoto brujah que estava sozinho.
Era um jovem, aproximadamente 15 anos de idade, com uma cara de nerd... óculos escuros, negro, de cabelos com gel para trás. Vestia uma roupa de uma irmandade de faculdade... mas ele tinha cheiro de lixo e drogas, só isso já era suficiente pra saber que era um brujah. Mas eu conhecia vagamente o senhor daquele pirralho. Nada grandes coisas, tanto que nem sei a filiação dele... Talvez camarilla. Não sei... É um bom velho, mas muito limitado.
_Benjamin, o que você quer? - perguntei com um tom amigável.
_Há irmãos em volta de vocês, vocês não podem fugir. Vim apenas para lhes dizer que seus dias de babúrdia acabaram, até o fim da semana vocês estarão mortos se não virem comigo agora. Aí estarão mortos até o fim da noite.
_Pressuponho que você é amigo de Chuck Norris, ou você poderia me bater a noite inteira e eu ainda estaria morto quando você terminasse.
_Suas cartadas foram dadas, se querem pagar pelas consequências... - o garoto se armou em uma posição de kung fu.
_Ah, mais um Daniel-San... E agora NEGRO?
Lurya não se conteve e deu uma risadinha... Will ainda não tinha entendido muito o que tava acontecendo.
_Vamos Lurya, vamos brincar de estátua com ele... - Fiz uma pose de ballet e fiquei parado
_Não me misturo com sangue aguado, ele só serve pra acalmar meus instintos agressivos.
_Vamos então Will, entra na brincadeira... ops estátua não fala! ^^' Vamos lá, todos, estátua! Estátuaaaa. "Estátua"
Lurya já quase arrancava fora um membro de benjamin quando percebeu que estava paralisado.
_Vamos sair daqui agora, essa noite pode começar a ficar divertida... - Assim que disse isso, assumi a forma de um garoto japonês de cabelos caindo nos ombros.
_Reunião na casa do coveiro, devem estar tramando algo lá. - Eu disse para a rede e repeti e repeti e repeti.
Lurya fez aquela carinha inocente de sempre:
_E agora? Qual a próxima parada?

Um comentário:

Felipe Werly disse...

eu quero 'ganhar' as coisas apenas falando!

_Vamos Lurya, vamos brincar de estátua com ele... - Fiz uma pose de ballet e fiquei parado

aheouhaeohao *imagina a cena*