sábado, junho 06, 2009

Brasília, meu Brasil estrangeiro.

Após uma temporada conturbada na Europa, uma fuga espetacular da riviera francesa, e uma caçada de sangue em meu nome, cheguei ao Brasil. Confesso que as coisas por aqui são mais fáceis para mim. Tenho muitas histórias pra contar, e vou começar com a tragédia, como fazem os noticiários. Will e Lurya se foram. Não sei onde eles se encontram agora, mas provavelmente foram tragados pela caçada de sangue que se formou atrás de nós. Eu revelei minha identidade como porta voz da visão e poucos compreenderam o que quis dizer. Dos meus pensamentos surgiu um monstro que começou a devorar os membros do velho mundo. Existem seres que poucos creem, mas que existem. Quem desenvolve a visão pode vê-los, mas a maioria dos loucos que se dizem membros nem sequer respeitam a visão. Pobres tolos. A fera que saiu dos meus pesadelos mais profundos era feita de pura magia. Outra coisa que poucos acreditam. Pura criatividade, matéria prima dos sonhos, coisa que nos acerta direto na alma e que a maioria de nós nem pode ver. Por azar, ela saiu da minha cabeça fui o primeiro a ser sua vítima. Por sorte eu a via e pude me defender antes da morte final. Will e Lurya estavam comigo e, juntos, escapamos. Assim que a fera saiu pela janela do nosso quarto no hotel, não a vi mais. Ouvimos rumores sobre suas façanhas destruindo alguns anciões até ser domada por um dos que ouvem a magika do sangue.

Não vou me abster aos detalhes da vida na Europa. Passamos bons tempos e maus bocados fugidos. Fomos caçados pela confusão que causamos. De fato não fomos culpados pelo monstro que devorou os anciões, mas por termos devorado anciões nós mesmos. Grandes problemas e muita diversão. Os velhos achando que podiam mandar em nós só por serem descendentes diretos das linhagens puras. Porcos que não sabem mais do que estão falando. Há um grande refino em alguns dos principados ingleses e muita organização nos alemães, mas nada se compara aos franceses. Tão caóticos e propriamente charmosos, não muito hospitaleiros mas mesmo assim tão atraentes. No geral, tentam viver uma idade que já se foi em que as seitas não faziam sentido separadas, quando ainda não havia um forte poder independente. Bem longe disso, encontrei em Brasília, a verdadeira capital do Brasil, uma ordem tão hipócrita quanto a francesa, mas de uma hospitalidade imensurável. Will e Lurya, cada um a seu tempo, cada um em seu lugar, foram devorados pela ordem vampírica européia. Encantados cada um com seu lugar, ficaram para trás e foram engolidos pela nuvem de vampiros que nos perseguiam, suponho eu. Não tive mais notícias deles desde que fugi da Itália sob forte tempestade. Tive que me apressar para pegar um voo que faria escala na África e assim eu poderia viajar durante a noite.
Cheguei em Brasília sem querer. Fiquei encantado com a cidade quando vi as luzes de natal, a arquitetura moderna, a escola de Niemeyer, me apaixonei pelo pitoresco desse lugar. Agora, sozinho, começo a descobrir os encantos do Brasil. Dei um tempo nas minhas conexões pela visão. Percebi que isso é um dom que deve ser utilizado com sabedoria e estratégia, fui levado pela liberdade de expressão mascarada. Assim como os jornalistas se acham no direito de liberdade de imprensa, eu me achava exercendo meu direito. Mas, no fundo, somos todos dominados pelos poderosos acima de nós, e só falamos o que eles nos permitem dizer. Toda informação é mediada antes e depois de passar pelos meios de comunicação e é distorcida antes, durante e depois desse processo.
Acho que perdi um pouco o foco da minha visão sobre o mundo e sobre como escrevo estas palavras. Mas minhas aspirações de poder todas se foram. Agora crio raízes num lugar que talvez não seja minha moradia definitiva. Realmente gostei desse lugar. Mas ainda tenho uma busca a fazer. Vou ter que parar por aqui, vejo vultos pelas janelas redondas do aeroporto Juscelino Kubischek. Não posso me dar ao luxo de estragar tudo que fiz até agora. Minha comoção por Will e Lurya não caberia em palavras, por isso ainda tenho fé que eles continuem por aí. Ainda tenho como objetivo reecontrá-los. Bom, vou me despedir logo antes que minhas suspeitas se confirmem. Malditos infernalistas, seguindo meu cheiro como cães sarnentos desde a Europa até aqui. Só eles têm o dom de fazer tais coisas. Vou mostrar a eles o que aprendi com meus próprios pesadelos. Nem o inferno é tão aterrador quanto a imaginação de um visionário com séculos de experiência.

"E agora o fim está próximo
E então eu encaro a última cortina
Eu vivi uma vida completa
Eu viajei por cada e por todas as estradas
E mais, muito mais que isso, eu fiz isso do meu jeito". _Frank Sinatra

quarta-feira, novembro 07, 2007

~ Teenagers.

Nunca fui fã de decições e ações precipitadas. Tempo é uma coisa tão banal e ilusória que não deveríamos nos preocupar tanto com ele. As coisas simplesmente iriam acontecer com ele, ou sem ele. Tempo deveria existir somente no vocabulário de mortais, ou melhor, pra nós membros, ele existe também... há o tempo frio, quente, úmido e seco, não é mesmo?!

Qaundo me aproximei da sala onde estariam os membros do conselho, entrei mesmo sabendo que nem deveria ter ido até alí, fui mesmo só pra comprovar minha tolice. Viktoor estava sendo, educadamente, convidado a se retirar da cidade por uns tempos. Depois de "revelações" feitas por ele, eu sabia que passara da hora da gente se retirar da sala e, pra não ficar ainda mais atrasada, só dei uma olhada firme para Will que ele já sabia o que fazer. Viktoor saberia onde nos encontrar. Não precisaria de explicações e nem de ninguém pra me falar onde poderíamos ir...



Minha comemoração de 100 anos. Nesta época eu conhecia vários amigos de várias linhagens e famílias diferentes. Foi tarefa difícil conseguir conciliar todo numa noite e em um ambiente só. Não foi aqui em Chicago, foi em Londres, num casarão abandonado de uma amiga minha Loi [leia-se Luá, como no francês], uma Tremere bastante exótica das demais. Foi com ela que conseguí expandir bastante meus conhecimentos e habilidades. Com ela aprendí o vício da boa música, da boa leitura. Não a leitura de livros típicos e famosos. Leitura de obras de crianças e jovens, ou até idosos à beira da morte. Somente aqueles sem algum dote pra escrita, que na maioria das vezes escreviam sem muita concordância e com bastante erros gramaticais. Eram esses que forneciam maior conhecimento pois esses falavam com o papel e caneta, e falavam com a alma. Escreviam o que não falavam pra ninguém, nem em suas mais secretas confissões. As crianças principalmente. Elas descrevem belezas que não são vistas nem por nós, membros. Elas têm o que eu e Loi chamamos de fé verdadeira: acreditam no que nunca foi e nunca será comprovado verdade. Não digo de papai Noel, fada do dente e coisas do tipo, falo de felicidade,liberdade, paz, amor. Conceitos. Até hoje, só conceitos. As minha conversas com ela eram sempre muito boas e sempre me rendiam horas de diversão e risos. Como ela era professora de faculdade e dava aulas de Pedagogia Infantil, eu amava conversar com ela, era a mãe que nunca tive, e eu a filha que perdera. Era tempo de eu visitá-la...


-Will, acho bom sairmos e procurarmos diversão ao nosso modo. Aproveitarmos essa noite por completa. Nos embebedar de uma boa vitae e depois irmos para nossas respectivas casas, descansarmos. Amanhã devemos embarcar para Londres assim que o Sol nos deixar, e lá procurarmos conhecimentos à nossa maneira. Umas duas noites acho que já seriam sufucientes e teríamos que ir para outro lugar, de preferência, à sua escolha. Como Londres já vai ser o primeiro da escala, não podemos arriscar algum lugar que seja preferido ou casa de Viktoor, ficaria muito fácil pra nos encontrar.
-E será que Viktoor vai concordar em fazer o que eles mandam, tão facilmente?
-E será que ele tem outra escolha? Por mim, tudo bem se ele quiser arriscar e ficar aqui, mas pelo que eu conheço de anciões, é muito melhor irmos. E olha que não sou afeiçoada a mudanças, ainda mais repentinas...
-O que fará por agora?
-...Se não me engano, tem um belo teatro que irá começar daqui a algumas horinhas, logo no centro da cidade. Pela propaganda, parece que terá a Orquestra Sinfônica Estadual tocando como música de fundo. Excelente elenco, com excelente música... Depois ainda podemos convidar alguns mortais refinados para um jantar em minha casa. Que tal?
- ...Taxi? - diz Will, com extremo brilho nos olhos.
-Naaahh, vamos de carro, eu dirijo. A gente pega emprestado com alguém no caminho - e termino a frase com uma piscadela que explica tudo a Will.

No mesmo instante, saímos à procura de algum carro à altura. Não demorou muito pra Will encontrar uma bela BMW que estava acabando de ser deixada pelo seu aparente dono. Ele era bonito, aparentemente 40 anos, com um belo casaco e uma boina em seus cabelos levemente grisalhos. Eu, naquele momento já era uma versão ruiva dos olhos verdes vibrantes, com um vestido preto e longo, cabelos delicadamente presos em um arranjo que combinava com anéis e brincos, um colar que destacava a região dos seios e um suave enxarpe para cobrir os ombros do frio, me aproximei do dono do carro.
- Bela noite, não é mesmo?
- ...Claro! Não mais bela que você, é óbvio!
-Quanta gentileza! Fico até envergonhada. - havia tanto tempo que eu não utilizara este meu dom, que eu tinha ficado até com receio de usá-lo novamente, mas pelo visto, era como andar de bicicleta...
-Não fique, minha bela!
-Será que eu poderia abusar de sua bondade para experimentar algumas voltas em seu encantador carro? ..Claro que não chega próximo ao seu encanto, meu senhor...
-Não me chame de senhor, por favor. E quanto ao carro, fique a vontade! Me diga onde a tua beleza deseja ir que a levarei em instantes!
-Ah, eu te agradeço, querido! Não será preciso, eu mesma me guiarei até meu destino. Prometo trazer-lhe o carro em minutos.
-Não se preocupe! Fique à vontade, tem um telefone ao lado direito do volante, e se precisar me ligue apertando o botão azul. Eu a encontrarei onde quer que esteja, só pelo seu doce cheiro e pelas chamas de seus cabelos.
"Agora chega de babação e vamos embora, né?!" - eu pensei.

Peguei a chave do carro e já fui abrindo-o logo para chegarmos no teatro.

Lá haviam, belas pessoas, lindos carros, roupas, colares, pescoços... Eu não tinha motivo pra tanta sede, mas é que taxistas não fazem parte de meu cardápio favorito... Tudo de meu cardápio favorito encontrava-se alí, na minha frente. Oh vontade que dava de sair descontroladamente como um mosntro, em busca de sangue. Saudade das antigas chacinas do Sabbat, é a única coisa que eu sinto falta após ter me desligado. Pena que teríamos que escolher poucos daqueles...

O espetáculo foi excelente. É bom saber que ainda se fazem boa música em Chicago, ainda mais reunida à uma boa peça teatral. Will aconselhou que deveríamos nos separar para conseguirmos cada um, uma 'companhia', e estava certo. Ao fim do espetáculo, estava eu com um belo homem, e ele com uma bela mulher. A mulher, que na verdade era uma moça, aparentemente 20 e poucos aninhos, era similar à imagem que tinha de minha mãe: cabelos como os meus, olhos claros, rosto fino e corpo bem torneado. Ela vestia um vestido lilás longo e rodado, com sapatos prateados, da mesma cor de sua bolsa. Sua pele não era branca como a minha, era um tom bem suave, mas bronzeado. Não falo de minha pele atual, é claro, mas sim de minha pele quando mortal, que era branca mas nem tanto quanto agora. Mathew, meu companheiro, era alto, cabelos escuros longos, na altura dos ombros, olhos castanhos bem claros, quase amarelhos, tinha uma barba bem tratada e usava ternos e calças pretas, tradicionais.
Convidei todos à minha casa e claro, eles aceitaram.
Chegamos lá e cada casal se apossou de um quarto. Eu tinha bastante vinho estocado para essas ocasiões, e sempre tinha comida estocada também. Pedí a amável Dora, minha empregada, que preparasse um banquete pra dois e vinho para,supostamente, quatro.
Eu adorava me alimentar de mortais com muito vinho no sangue, ainda mais que após o jantar eu iria me descansar como há muito tempo não descansava. Mathew e Anna, estavam no ponto. Já haviam comido bem e bebido bastante. Já era a hora no nosso banquete. Após saciar-mos com um bom sangue, fomos dormir, cansados e já esperando que a próxima noite fosse bastate longa.

Um segundo antes de fechar meu belo abrigo, lembrei-me de pedir a Dora que ligasse para a agência aérea e comprasse 3 passagens para Londres para a próxima noite, o mais próximo das 7 da noite o possível... Após o fim destas palavras, já em minha forma e tamanho normal, dormí pensando em minha amiga Loi...



~ Lurya.

segunda-feira, novembro 05, 2007

A Arte da Guerra.

Entendam, não gostamos de mudanças. Muito menos quando você domina um território, influencia as massas, você está levando todos um passo além na compreensão do mundo e simplesmente te dizem pra mudar. Não, isso não está certo. Manter as aparências pro coveiro, tudo bem. Mas daí a aceitar o plano dele já é demais. Um porco como ele não deveria nem ter um pedaço de chão na cidade. Se fosse mortal não merecia nem um pedaço de lixo pra poder catar sua própria comida. E eu não vou deixar mais um merda desses me dizer o que fazer na minha cidade.
E a propósito. Por falar em comida, eu não devoro taxistas. Odeio taxistas. Odeio aquele remorso que agente sente depois de matar um pai de família.
_Uma coisa: Nós não vamos sair daqui porque uns merdas tão atrás da gente. Segunda coisa: nós não somos criancinhas da noite mais, pelo menos não por dentro. Temos idade e todos sabemos que é só achar uma ponta que achamos o resto. Parece que vocês não entendem a Visão quando ela vem...
Dei uma pausa no sermão. Apesar de ser o mais novo em idade, eu era o mais velho na Visão. Todos nós temos. É só você procurar direito dentro de si. Não que alguns tenham mais que outros, não! ISSO é mentira. Todos temos a mesma capacidade, só que alguns sabem usá-la e a maioria nem sabe que tem. Ou não acredita.
_O que vamos fazer é uma pesquisa. Pra começar vou buscar meu carro novo. Vamos nos separar e dividir tarefas... Vejo um futuro negro logo esta noite, à nossa espreita. Desde que saímos de casa. Até amanhã haverá um Sol no meio, onde temos a maior chance de irmos encontrar nossos pais. Lurya, você deve reunir força bruta. Não to falando de chamar monstrinhos com seus cachorrinhos, to falando de VOCÊ ser a força bruta. Quanto menos gente souber, melhor. Will, você vai ter que conseguir uma reunião instantânea no Elísio. Use sua influência superior... ou qualquer coisa do tipo. Sei que há um espião Autarca dentro da camarilla, com ele lá dentro, podemos achar a rede até onde estão nos caçando.
_E onde a força bruta entra nesta história, querido Viktoor? A propósito, você não precisa mais ser esse japonês ridículo.
_O Elísio não é um lugar onde se deve caçar confusão querida Lurya, você pensa certo. Mas ninguém espera que você vá fazê-lo. Ainda mais alguém com poder pra sobrepujar a vontade da maioria dos presentes. É assim que começam as guerras. E é assim que vamos começar uma guerra pra evitar que eles comecem uma contra nós. Eles não tem o menor direito sobre MEU... quer dizer, NOSSO território. Como membros do conselho dos 9 dentro dos independentes da cidade, nós temos todo o direito de estar aqui como o acordo de Haxisis previu. Nem o Sabá nem a Camarilla tem o direito de quebrar esse acordo, porque somos nós que resolvemos os problemas deles, sempre.
Uma coisa sobre guerras: Se não puder evitá-las, comece. O primeiro passo é sempre o mais importante.
Assim nos dividimos às 22:22, eu peguei um táxi e saí sem pagar mesmo, corri até meu recém "comprado" corolla e andei até a casa de um de meus queridos filhos: McClair. Ele era impulsivo, alto, imponente, como se sua mãe tivesse sangue azul e eu lhe passasse o dom da Visão. Ele era poderoso. Sim, muito. Não conhecia ninguém na cidade com a capacidade dele de entender os rituais de nosso clã. Rituais de sangue, magia negra e coisas do tipo. É por isso que dizem por aí que todo mundo teme um tremere. Nunca se sabe que tipo de feitiçaria ele pode fazer com gravetos e um pouco de óleo.
Assumo agora minha forma real. Um francês de 1,68 de altura, cabelos ruivos lisos até pouco depois do ombro, olhos deliciosamente azuis. Meu estoque de roupas sociais ficava com McClair, porque ELE entendia quando eu ia sair pra alguma coisa importante. Me vesti como um nobre, com luxo e pompa de botar inveja em qualquer marajá. Impecável naquele traje negro que sob certos ângulos ficava vinho ou vermelho. Nada de sobretudo, só uma capa de vermelho sangue com dourado envelhecido, quase cobre. Nada mais majestoso para um ventrue vestir.
22:50
Me dispeço de McClair. Não vim para conversar hoje. Eu simplesmente cheguei e ele me perguntou se eu preferia o terno azul ou o vinho. Bom filho. Bom filho. Talvez o melhor.
23:12
Me dirijo ao Elísio. Uma mansão azul e branca adornada ao estilo colonial inglês. É a casa de "campo" do príncipe. No meio de um parque industrial, onde ninguém suspeitaria de nada estranho, e onde estamos "protegidos" dos Lupinos. Uma área cercada por um pequeno lago. É lá.
Mal chego e sou recebido com toda a honraria, meus cabelos presos num laço de setim verde em um broche prata, eu com uma bengala, quase um cetro, me portava como um perfeito ventrue.
_Boa noite senhor Viktoor, é um prazer tê-lo aqui.
_Ui ui, Mes chers... Una bela noche vista aqui di cima. Ui, ui.
Entrei e fui bem recebido pelos anciões. Estes sabiam que eu tinha a Visão, então me temiam como se eu pudesse mordê-los a qualquer momento com uma previsão.
Henni, Joacim, Kevla, Jonas, Amadeus e Für. Eu já havia convocado uma reunião de cúpula mais cedo. Sim, quando eu disse aquelas coisas para o meu querido Alísio, ele reportou aos anciões e eu já esperava essa reunião de cúpula. Tanto que nem me chamaram. Mas eles nunca me chamavam. E eu sempre estava lá.
_Bonne nuit! Vous seigneurs, devem saberr de um spi. Já. Sim. Suponho. Le perdant caminharrrá porrr esta porrta em instant. Saibam que és un prrrotegido meu. E se alguém deverrá eliminá-lo, este alguém serrei moi!
_Caro Viktoor, nós não estamos aqui para discutir sobre traidores. Estamos aqui para falar sobre A Voz e o que faremos com ela se ela simplesmente não se calar até o fim da semana. Há uma caçada eminente contra os independentes, e uma suposta invasão do sabá. Não sabemos qual história é verdade, sabendo que ambas provém da Voz. Nossos espiões não dizem nada sobre o sabá. Eles estão irrequietos, e isso é um sinal de normalidade. Já uma caçada aos independetes, isso não está sob meu conhecimento.
_UHmpf. Monsigneur... mil perrdões. Mas aqui, neste Elísio as rregrras sobrre les secrets non estón mui prresent. Há dois spi aqui aujourd'hui, cette nuit. Um é dos Pauvres de l'esprit, outrro é dos maire. Posso lhes adiantarr, monsigneurs, que um destes é encharged.
O príncipe Maximilliano me olhou com um olhar estranho e nos encaminhou da recepção de sua casa até a sala de reuniões, uma sala fechada com uma mesa para 13.
Todos ficaram perplexos com revelações que eu fiz. Afinal todos teem a visão, só não sabem usá-la direito. Quando alguém diz algo que você já sentia no fundo da alma mas que não levava em consideração é muito mais surpreendente.
Apenas Maximillian permaneceu exatamente como estava, nos olhando sobre os óculos com uma cara nada boa. Aquela guerra não demoraria mais do que segundos pra se extender até nós, e logo até o resto da cidade. E eu era o anarquista independente. A Arte da Guerra, trata-se disso.
Os outros sentaram-se meio irrequietos, parecendo esperar uma decisão do príncipe.
_A Voz. Este é o problema. Ela está presente em todos os lugares. Inclusive aqui entre nós... esta noite, neste recinto. - Um murmúrio geral começou depois disso - Ela pensa que não podemos controlá-la, nem que não sabemos quem ela é. Mas ELE está errado.
_Senhor, ousa acusar um dos anciões assim levianamente? - Amadeus, o toreador replicou com um ar de babação de ovo.
_Não estou acusando ninguém. Ele se revelará para nós.
_Até parrece que monsigneur aprrrendeu a usar corretamente sua visão meu lorrrde - eu tentei puxar um pouco o saco, estava receoso, mas ainda não com medo.
_A noite será loooonga. Muito loonga...
Will e Lurya chegam nesse momento. Havia muitas revelações a fazer.
_Tenho coisas a dizerr ao conselho, monsigneurs. Mensagens das rruas. Grrritos que ouço na minha cabeça. Quis parrrticiparr do conselho ceste nuit porrrque moi non querrr serr crrucificado. Moi está do vosso lado, como semprrre esteve. Prrecisamos nos unirr más do que nunca.
_Senhor Viktoor, sabemos que o senhor espalha mensagens para os membros e que causa o caos na minha cidade. - Respondeu Maximillian, rispidamente.
Kevla, o tremere, que não gostava muito de mim desde o princípio se levantou e proclamou:
_Por decisão unânime do nosso conselho, recomendamos que o senhor Viktoor D'Kranmps Avoulère deixe a cidade hoje, e só retorne, no mínimo, até o fim da semana. Por medida de segurança, para o senhor e seus perseguidores. Sabemos de sua condição dentro da cidade e não desejamos fragmentar mais ainda nosso poder com a perda de um sub-conselheiro, que é o senhor. Então até que se resolvam as suas "profecias" de invasão do sabá, e outras coisas mais, o senhor deve deixar o solo da cidade e não causar mais problemas. Quando o senhor retornar, haverá outro conselho como este.
Estou atônito. Não consigo acreditar em nada do que me foi dito nos últimos segundos.
Lágrimas de sangue rolam pela minha face. Lágrimas de ódio. Hora de uma recuada estratégica.
_Digo só uma coisa aos senhores, já que estou de partida: Seus olhos podem ver um grande lorde, mas dele surgirá a ruína de chicago. A traição é a mais bela das artes da guerra.

Conhecimento profundo é 'saber sair sem passar pela porta, ver o caminho do céu sem olhar pela janela'. - Sun Tzu, A Arte da Guerra.

A inesperada mudança

Apos descer uns 20 degraus por uma escada escura, o coveiro apalpa a parede e finalmente encontra um interruptor. Era um lugar amplo, do tamanho de um quarto normal de apartamento ou casa humilde, ali caberia um armário, uma cama e ainda uma cômoda. Havia um forte cheiro de sangue, e breve todas saberíamos por quê. Havia três mulheres deitadas em uma cama no fundo do quarto, pareciam desmaiadas, eu ainda podia ouvir o grito de sofrimento deles quando foram surpreendidas e supostamente atingidas no pescoço que estava roxo. Do lado delas havia uma mesa e logo do lado uma pequena cômoda. O coveiro se aproximou da mesa e de lá tirou um mapa. Aproximamos-nos e conseguimos ver com clareza, apesar da luz fraca, um mapa mundi.

- A camarilla esta nos seguindo, para eles, nossos grupo independe é uma ameaça às tradições vampiricas. Creio que aqui não é seguro para nos. Não temos ainda certeza como, mas vozes me dizem que um grupo de caçadores de vampiros estará vindo para cá atrás de nosso grupo, esse grupo é apoiado pela camarilla já que é interesse deles a nossa morte.

- E o que você pretenda que fazemos? – disse eu, esperando uma resposta associada a uma idéia de fuga.

- Que tal ficarmos e mata-los? – disse Lurya, que fez abrir um sorriso no rosto de Viktoor.

- Nossa idéia é mandar vocês para Nova Iorque para descobrir mais sobre esse grupo de caçadores e se puder impedir a vinda deles.

- E porque nós? – Disse Viktoor com uma cara alegre de duvida.

- De todos do nosso grupo, vocês são os que mais tem chances de impedir o grupo sem apelar para a força, já que ouvir boatos que esse grupo de caçadores possuía vampiros infiltrados.

- Como iremos a Nova Iorque?

- O jeito mais seguro é á carro, mas fica a mérito de vocês. Aqui esta algum dinheiro que vai os ajudar.

Ele estendeu um pacote para Viktoor, mas fiz questão de pegar, esse dinheiro devia ser usado com toda a responsabilidade do mundo, e Viktoor ainda não tinha ganhado meu voto de confiança.

- Melhor partimos amanhã, seria muito suspeito sair da cidade tão cedo e com tanta pressa. Amanhã nos encontramos novamente e planejamos nosso plano.

O coveiro concordou com a cabeça mesmo que com uma cara de pensativo. Subimos a escada e ouvimos o barulho da luzes se apagando.

- Se pretendem mesmo partir somente amanhã, podemos nos encontrar nesse mesmo horário daqui, arranjarei um carro para transporta-los e se quiserem conseguirei mais alimentos para não parem muito durante a viagem.

De lá, cada um partiu seu caminho, Lurya e Viktoor resolveram esperar por outro táxi, enquanto eu preferi ir a pé mesmo, talvez para dar um ultimo olhar com detalhes para aquela cidade, a deixaria em breve. Caminhei lentamente pela cidade, olhando para a lua enquanto andava, sua luz refletida iluminava todas as ruas quase sempre vazias.

domingo, novembro 04, 2007

~ Dry.

Aquele cheiro horrível que dava ao ar um peso maior, não poderia ser de outra criatura. Raça suja! E o insolente ainda queria nos torturar ainda mais com sua presença!! Ah se me faltasse um pouquinho mais de tolerância, seus ossos virariam espetos para marshmallow's!

- E agora? Qual a próxima parada? - Disse eu, com sede de fuga.
- Devemos agir rápido, se não querem mais destes seres desagradáveis tentando nos intimidar.
- Sim, sim, siim! Vamos correndo, rápido como esta carta que acerta o tronco daquela árvore! - Viktoor lança a carta que vai rápido como uma bala e entra pela metade no tronco da árvore.
- Taxi? Dois problemas em uma cartada só! Me apressei para vir pra cá e nem ao menos tive tempo para me arrumar alguma bebida. - Eu disse, já pensando na sede que crescia em mim.
- Amarelinhos! Por alí!!

Pegamos o primeiro taxi que avistamos. O jantar seria farto e delicioso! O motorista tinha a idade perfeita, em torno dos 30 anos, corpo grande (em ambos os sentidos) e com um belo rosto, muito alegre e bem disposto por sinal.
-Boa noite, meus queridos! Para onde terei a graça de levá-los?
-Só seguir direto essa avenida que, quando chegar a hora o diremos onde entrar. - Como não desejava chamar muito a atenção, no instante em que o motorista olhou para o banco traseiro ele viu uma mulher, com uma saia preta estilo secretária até o joelho, sapatos fechados e casaquinho preto, com um chapéu preto com um delicado véu caído pelo rosto.
-Desculpe por minha pertinência madame, mas por acaso estão indo em direção ao cemitério? Vejo que a senhora veste como viúvas ou mulheres de luto.
-Não, não vamos ao cemitério. Somente siga a avenida sem demais perguntas, por favor.
-Sim, madame. Perdão.

Nós íamos sim, para o cemitério, porém não achei seguro informar ao motorista. É fato que ele não teria ar nos pulmões nem sangue correndo nas veias para contar a alguém, mas todos sabemos que há maneiras muito simples de se ouvir pessoas mesmo com distância considerável.
Como era próximo ao parque, pedí a ele que que estacionasse em um beco pois precisaríamos comprar algo para comer.
-Meus senhores e minha bela senhora, desde já aviso que nestas proximidades não encontrarão nada muito agradável aos seus estômagos, os bons restaurantes estão na outra região do bairro.
-Agradeço, meu querido, mas já temos o banquete aqui mesmo no carro.
Acho uma covardia atacar da forma que ataquei, por trás e sem deixar que ele faça seu último pedido mas além de eu não ser o que chamam de pessoa brava e digna, eu estava com muita fome para serimônias. E pelo visto, meus dois companheiros também...

Após a bela refeição e seus rituais para desfarçar e não chamar atenção imediata à cena, caminhamos rapidamente ao local desejado: o cemitério. O coveiro já estava na porta do local nos esperando para a suposta reunião. Haviam com ele, mais dois outros caras. Um deles eu conhecí rapidamente quando fui fazer uns favores a um amigo que estava em busca de ítens para um ritual que desconheço. O outro era bastante parrudo e de cara fechada, nada familiar. Viktoor e Will pareciam se sentir bem na presença dos dois, logo comprimentando e abrindo leves sorrisos. Viktoor parecia já ser amigo de ambos mas Will, somente do mais belo, aquele que eu também conhecia. Claro que nem ele, nem o coveiro me reconheceram, o que me obrigou a voltar com minha aparência normal, da pequena Lurya de, aproximadamente 1,30m de altura, cabelos negros na altura do ombro e com uma franja que cobria sua testa e descia até a altura de suas sobrancelhas, dando realce aos seus olhos, também negros. No momento eu estava usando uma saia rodada azul escura e com bordados em azul bebê, meias claras que cobriam as pernas inteiras, sapatilhas brancas e um casaquinho liso e branco, tudo claro para contrastar com os cabelos e olhos. O coveiro me olha com cara de tio que fica muito tempo sem ver a sobrinha e ver o quanto ela está bonita, enquanto o outro conhecido, me olha com cara de surpresa e me reconhece no mesmo instante.

-Vocês demoraram, resolveram parar para algum lanche? Eu preparei em minha casa, especialmente esta noite, um rebanho para recebê-los!
-Ahh, que pena, querido Terk. No momento acabamos de nos saciar com um infeliz de sangue nem tão agradável quanto ao que tomaríamos em sua casa, mas de qualquer forma acho que iremos precisar de um bom conforto pro fim da noite... - disse Will, apresentando gratidão, arrependimento e um longo suspiro. - Pelo visto, teremos uma noite bem longa...

E então seguimos para dentro de uma suposta sala, dentro do cemitério mesmo, para dar início à nossa reunião.
-Bem, Lurya, Viktoor e Will... gostam de viajar? - Pergunta o coveiro, que é respondido com duas caras preenchidas por interrogações e uma cara, óbvio a de Viktoor, com um grande sorriso. - Pois essa noite, farão uma longa viagem. Chicago já ficou pequena demais pra vocês e seus presentes seguidores...
-...E qual lugar estaríamos seguros? Você, meu amigo coveiro, sabe que membros de minha família não são grandes fãs de mudança de habittat. - eu estava com receio de viajar assim, tão repentinamente. Preferia enfrentar tudo por aqui mesmo, do que ir para um lugar desconhecido, pessoas desconhecidas e sem nenhum lugar que você conhecesse cada centímetro, cada átomo.
-Não se preocupe, Lurya. Vocês terão quem receba-os e muito bem , por sinal.
-Ah! E já podemos ir agora, Terk? - diz Viktoor com brilho nos olhos.
-Claro, quanto mais rápido, melhor! Venham, tenho algumas coisas para serem passadas e informações a serem dadas. Me acompanhem até meu confortável abrigo subterrâneo...

E então nós três, junto ao coveiro e seus dois amigos, descemos uma estreita escada que provalvelmente nos levaria ao suposto refúgio do coveiro.

Seis pessoas, três sentimentos: desconforto, incerteza e aparente excitação...


~ Lurya.

Espadas Cruzadas

20:40.
Odeio estar fora do tempo. Droga. Abro outra rede:
_O que ele quis dizer? - um cainita mais novo perguntando

_Dizem que temos uma invasão do sabá, disseram para fugir. Vamos nos reunir no refúgio do coveiro, lá decidiremos o que fazer. - esse se chamava Alisio, eu conhecia sua voz, era um respeitado ancillae que costumava estar certo e ajudar bastante a cidade. Ele me pagava por informação.
_O coveiro está cavando essa noite, os membros devem ir ao motoclube sul. - Eu disse com um sotaque irlandes, disfarçando a voz.
_Quem é? Você sabe onde está a Voz? - Eu era chamado de "A Voz" pois fazia uma boa imitação de Frank Sinatra enquanto rogava minhas frases pela rede. Outra coisa que esqueci de dizer: Não sou velho, fisicamente... normalmente não.
_Estou com ele à vista. Tenho certeza que é ele. É um velho, parece daqueles atores de filme.
_Me disseram que ele é uma criança! - o mais novo se intrometendo na conversa.
_Pelo que sei ele nunca está numa mesma forma, nunca está num mesmo lugar, e alguns dizem até que ele desaparece em um lugar e aparece em outro. - Alisio sabia mesmo das cosias, mas não tinha certeza de nenhuma. Partircularmente eu gostava de Alisio.
_Vou me aproximar dele e ver o que posso descobrir.
_Não! Ele odeia proximidade com outros membros! Não! - Alisio era realmente esperto, mas não me conhecia.
Parei de falar, como se eu estivesse "off", e deixei os garotos discutindo.
SEMPRE devo dar uma espiada logo depois de disseminar a mensagem para ter certeza sobre o que os cainitas entenderam. Não gosto de especulação... haha.
20:50
Enquanto meus amigos não chegam vou ganhar um pouco de dinheiro honesto... Sentado num banco de praça, tiro algumas cartas de baralho e distribuo-as sobre a mesa de damas.
_Alguém quer tentar a sorte contra um pobre velho que precisa de dinheiro para comer esta noite?
_O senhor não é pobre! - um garoto se sentou e começou a me encarar.
_Mas ainda preciso de dinheiro para comer esta noite!
_Porque não vende seu sobretudo belo, de veludo negro?
_Ou a fome, ou o frio. Às vezes temos que fazer uma escolha não?
_Tudo bem... tudo bem então... que o tio tem aí?
_Uma partidinha de poker :D
_Mas assim?
_É, 10 fichas pra cada, quem ganhar tudo leva a aposta.
_Ah... quanto quer apostar tio?
_Não tenho dinheiro lembra? Eu aposto meu relógio. Serve?
_Ha! Não, de jeito nenhum! Aposte algo decente.
_Olha bem pra minha cara filho... quer que eu aposte oque? Meu BMW que tá estacionado ali na esquina, ou meu prédio de apartamentos, logo atrás de você? Eu sou um pobre velho que mal tem um sobretudo de veludo para se aquecer porque acabei de ganhar em uma aposta.
_O senhor tem cara de ser bom...
_E o que faz diferença eu ser bom, estou com fome, ninguém consegue jogar poker com fome! Tudo bem então, vamos fazer uma aposta mais fácil... Eu te digo o que acontecerá com você daqui a 5 minutos e você me paga se eu estiver certo.
Não preciso dizer que ele aceitou... 5 minutos depois eu estava no carro dele, dando voltas no parque. Disse a ele: "Saia" e ganhei um corolla semi-novo. Logo venderei.
21:03
Parque municipal. Cheio de árvores pra todos os lados, enquanto eu dava voltas com o carro vi os dois chegarem e sentarem onde havíamos combinado. Parei o carro numa distância segura e fui caminhando até eles. Em meio às árvores os dois já me esperava há alguns minutos. Maldita sensação de estar sendo seguido. Sei que há um atrás de mim. Espião, da camarilla talvez. Mas não consigo vê-lo de modo algum. Sinto seu cheiro, ouço seus passos, mas nada de vê-lo... Isso começa a me irritar.
Faço um aceno para a garotinha e o rapaz a uma meia distância. Logo eu senti a presença de novo. Estranho, como um verme que sabe que não pode te devorar inteiro, mas fica lhe seguindo esperando até você morrer. Vi um vulto pairava sobre uma árvore logo atrás deles, a luz de um poste atrás da árvore ofuscava minha visão normal, mas eu podia ver, em um relance, uma silhueta verde pálida, comecei a correr em direção aos dois.
Eles também já o sentiam, viraram calmamente para trás e olharam bem na cara do espião. Brujah.
Ao mesmo tempo, Lurya e eu tivemos uma reação igual:
_Maldita ralé!
Will estranhou a figura aparecendo do nada num encontro a três:
_Mas o que a ralé vem procurar num encontro fechado?
_Os senhores devem vir comigo. Há muito a ser explicado, sabemos tudo sobre vocês. Principalmente sobre você velho.
Eu me detive por alguns instantes. Dizer que "sabemos tudo" logo de cara é insegurança de quem não sabe de nada. Ou excesso de confiança de quem sabe algo.
_Lurya, deixe que eu resolvo, acalme-se. Não vamos querer corpos sem ossos pelo caminho de novo não é? - eu estava apenas intimidando o garoto brujah que estava sozinho.
Era um jovem, aproximadamente 15 anos de idade, com uma cara de nerd... óculos escuros, negro, de cabelos com gel para trás. Vestia uma roupa de uma irmandade de faculdade... mas ele tinha cheiro de lixo e drogas, só isso já era suficiente pra saber que era um brujah. Mas eu conhecia vagamente o senhor daquele pirralho. Nada grandes coisas, tanto que nem sei a filiação dele... Talvez camarilla. Não sei... É um bom velho, mas muito limitado.
_Benjamin, o que você quer? - perguntei com um tom amigável.
_Há irmãos em volta de vocês, vocês não podem fugir. Vim apenas para lhes dizer que seus dias de babúrdia acabaram, até o fim da semana vocês estarão mortos se não virem comigo agora. Aí estarão mortos até o fim da noite.
_Pressuponho que você é amigo de Chuck Norris, ou você poderia me bater a noite inteira e eu ainda estaria morto quando você terminasse.
_Suas cartadas foram dadas, se querem pagar pelas consequências... - o garoto se armou em uma posição de kung fu.
_Ah, mais um Daniel-San... E agora NEGRO?
Lurya não se conteve e deu uma risadinha... Will ainda não tinha entendido muito o que tava acontecendo.
_Vamos Lurya, vamos brincar de estátua com ele... - Fiz uma pose de ballet e fiquei parado
_Não me misturo com sangue aguado, ele só serve pra acalmar meus instintos agressivos.
_Vamos então Will, entra na brincadeira... ops estátua não fala! ^^' Vamos lá, todos, estátua! Estátuaaaa. "Estátua"
Lurya já quase arrancava fora um membro de benjamin quando percebeu que estava paralisado.
_Vamos sair daqui agora, essa noite pode começar a ficar divertida... - Assim que disse isso, assumi a forma de um garoto japonês de cabelos caindo nos ombros.
_Reunião na casa do coveiro, devem estar tramando algo lá. - Eu disse para a rede e repeti e repeti e repeti.
Lurya fez aquela carinha inocente de sempre:
_E agora? Qual a próxima parada?

sábado, novembro 03, 2007

O Pôr-do-sol

Ah o pôr-do-sol, o momento em que o sol se esconde atrás do horizonte, o momento em que os filhos de Caim acordam e se preparam para mais uma noite como todas... Uma noite inacabável e imortal, uma noite que será igual à de ontem e que será refletida no amanhã. Gosto de acordar sempre antes do anoitecer e ficar esperando as sombras na sala dominarem o local e transforma-lo em uma única escuridão.
O Pôr-do-sol tem algo mágico, algo que me fascina, vejo-o todo dia a décadas e nunca me enjôo. Logo que anoitece saiu na minha sacada para ver lentamente a luz de cada estrela aparecendo, que por todo o dia foi ofuscada pela grande luz do sol. Ah o sol, antes tão inofensivo e agora tão mortal... Lembro-me quando caminhava com Helen nos longos campos de grama de seu pai... O sol do meio-dia queimava em nossas cabeças enquanto procurávamos por uma arvore grande que pudesse nos abraçar com sua sombra. Ficávamos sentados, conversando de assuntos alheios e sem importância, se eu soubesse o que viera a acontecer com ela teria contado-a o quanto a amava e o quanto a queria.
Lembro-me da ultima vez que nos vimos, ela estava vestida com um lindo vestido vermelho que brilhava na noite escura, seu batom destacava seus lindos olhos verdes que faziam um apaixonante contraste com seus cabelos negros soltos encaracolados. Ela veio até min com um sorriso estampado no rosto e me deu uma noticia tão boa e ao mesmo tempo tão ruim. "Vou me casar com Tom". Aquelas palavras me mataram por dentro, se eu soubesse o que aconteceria com ela teria a impedido. Eu sabia o quanto ela o amava, não pude fazer nada a não ser aceitar sua felicidade e minha tristeza.
E como no pôr-do-sol, a beleza de Helen se apagou. Lembro-me de como me desesperei a vê-la morta no chão de seu quarto. Ainda me lembro do cheiro de sangue invadindo o cômodo, me lembro da cortina balançando abrindo espaço para que o vento frio entrasse no quarto. Ainda podia ouvir os passos de seu assassino na grama, fugindo para longe, sem muito esforço o alcancei, sim, naquela época já não era mais como ele e Helen, era como sou hoje. Quando vi seu rosto, o ódio tomou conta de min e só me lembro de acordar em cima de um corpo despedaçado e ensangüentado, ainda posso lembrar de como me senti quando vi o sangue na minha mão.
Essas lembranças não querem sair da minha mente, por mais que eu queria manter somente na memória as boas cenas com Helen, as cenas em que ele acena para min longe no horizonte com seu sorriso esperando minha chegada.
Meu esforço continua, quero um dia poder voltar a ser o que era antes e tentar desfazer tudo que fiz e que deixei de fazer, mas por enquanto preciso me arrumar, encontrarei com novos amigos que conheci umas noites atrás. Quem sabe eles me ajudem ou quem sabe eles são apenas como eu, um solitário que procura uma cura para uma doença que não existe enquanto assiste o pôr-do-sol.

~ Adagas e Silenciadores.

Estava eu, numa tentativa noturna de quebrar o tédio, procurando músicas na internet para atualizar e renovar minhas atuais, quando achei uma belíssima coleção de cantigas de roda, todas em versões acústicas. Desde a noite passada essas têm sido minha trilha sonora.
Devem estar achando cômico um ser de mais de 200 anos, ouvindo canções de roda, não é? Pois bem, eu dedicarei minutos de meu tempo a lhes explicar um pouco sobre meu belo passado...

No dia 9 de novembro do ano de 1797, a pequena filha de um nobre que se apaixonou pela carne de uma belíssima camponesa, vem ao que os mortais chamam de vida. Despensados demais comentários sobre meus pais mortais, pois estes não me ensinaram muito e não contribuíram muito em minha história. O único a ser lembrado de minha vida mortal seria o amigável e inteligente, Kenny.Para falar de tal importância eu até mudo o parágrafo de meu longo relato pois,a medida que forem lendo este capítulo de minha biografia, concordarão comigo.
Kenny era simplesmente apaixonante. Se naquela época, com meros 8 anos de existência, mesmo que mortal, eu soubesse o significado de uma paixão ou amor, eu diria que amava tal criatura. Foi ele quem me ensinou tudo que meus pais deveriam ter me ensinado: como se vestir, como conversar, como controlar os impulsos de uma jovem menina, como arrumar meus cabelos de forma que eles dessem maior realce aos meus olhos negros, como me deitar na cama de forma a ter um descanso maior com poucas horas de sono, e qualquer outro detalhe que uma criança aprenderia com minutos passados com sua mãe. Meu pai, Walter, totalmente corrompido pelas terras e escravos que possuía, só me ensinara como se pegar em talheres e como tratar superiores, sempre dizendo: "Sim, senhor" ou "Perdão, senhores", e demais frases do tipo. Minha mãe, nunca cheguei nem a saber de seu nome. Meu pai esperou que eu nascesse para ver se nasceria com feitos nobres, caso contrário forjaria minha morte como forjou a de minha mãe. Ele nunca aceitaria uma camponesa ignorante sentado ao seu lado junto aos demais nobres da vila numa mesa de jantar. Enfim, voltemos a falar de Kenny...
O conhecimento de sua existência era restrito aos adultos que moravam com ele na bela mansão,que ficava num canto abandonado da vila, e a mim. Ele costumava marcar horários comigo próximo a um parque abandonado. Eu demorei um tempo pra conseguir ver os traços de Kenny com exatidão devido aos horários que a gente normalmente se encontrava. Sempre antes das 5 da manhã ou após às 7 da noite. Na verdade, eu simplesmente sabia que devia ir ao parque em tais horários pois ele sempre estaria lá me esperando. Kenny foi meu único amigo, minha única diversão e minha única graça durante um ano. Eu o conhecí exatamente no dia em que completei 7 anos. Me lembro como se fosse ontem...
A noite era fria na pequena cidadela próxima a Londres. meu pai daria um festa pois gostava muito do número 7: era o número de centenas de escravos que possúia, era o número de burgueses que possuía como fornecedores de sei lá o quê e o número de lotes que possuía com o clero local. Eu, me sentindo totalmente deslocada em meu próprio aniversário, fugí em direção a esse parque e conhecí o ser que mudaria o que eu chamava de vida. Depois voltei a minha residência, é claro, e dei uma desculpa qualquer a meu pai que, de qualquer forma, mal notara minha ausência.
Durante exatamente um ano, minha vida seguiu esse rumo. Kenny me moldou de forma tão radical que eu, em um ano, crescí 50.
Um ano depois e chegara meu aniversário de 8 anos. Dessa vez o plano era outro: durante a festa,eu pegaria alguns pertences e fugiria com Kenny para sempre. Para sempre...
...Sim, esta foi a noite de meu abraço e a partir daí, eu e Kenny viveríamos nossa infância juntos para sempre. Eu e ele, juntos. Com a mesma aparência de 8 anos, pelo resto de nossa existência.

Nesses filmes de romances que se fazem aqui nos Estados Unidos, realmente acontece assim.

Após algum tempo, eu e Kenny nos mudamos pra NY e lá, terminou toda minha bela história de romance.
Sempre detestei rebeldes, jovens e adolescentes. Ódio maior só é superado pelo ódio que eu tenho de membros com essas características. Brujah's. Resumindo tal tragédia devido ao meu atraso... Numa bela noite de neve e fim de ano, eu esperava meu querido Kenny voltar de algumas 'compras' quando eu sinto uma terrível dor e resolvo ir a procura de meu amado. Quando o achei já era tarde demais. Garras e fogo haviam consumido seu corpo e já não havia vitae correndo em sua carne nem o brilho gélido que seus olhos possuíam... A partir dessa noite, meu ódio e desprezo por tais coisas imundas, só aumentara.



Ah, querido leitor! Permita-me ausentar pois já estou demasiadamente atrasada! Já são quase 9 da noite e marquei com meu amigo Vic há alguns minutos passados. Continuarei a trágica história assim que puder. Ah, não! E ainda tenho que arrumar estas unhas e estes cabelos. Se o querido Kenny pudesse me ver desta forma, ele se decepcionaria! Onde está mesmo aquelas luvas confortáveis...?
~ Lurya.

Semana do Outono

Dia da Ira, é o dia
Em que os séculos se desfarão em cinzas,
Testificam Davi e Sibila!

Quanto terror é futuro,
quando o Juiz vier,
para julgar a todos irrestritamente !

A trombeta, espalha o som
pela região dos sepulcros,
convocando todos ao Trono.

A morte e a natureza se aterrorizam,
ao ressurgir a criatura,
para responder ao Juiz.

o Livro aparecerá,
em que tudo há,
em que o mundo será julgado.




~^~



Outra noite fria. Dormindo na Pensão de Kylle dessa vez... Hoje escolhi ser o velho cantor da década de 50 que viveu com Johnny Cash. É divertido poder brincar com sua expressão sempre que dá vontade. Cabelos grisalhos curtos penteados pra trás, olhos meio acinzentados pelo tempo, rugas dispostas como se fossem pintadas por um artista. Aquele corpo nem gordo nem magro, no estilo Anthony Hopkins é o máximo que um velho pode querer ser sensual. Deixei uma mensagem pra Lurya chamando aquela coisinha fofa pra sair hoje à noite... Vai ficar surpresa com minha cara! Hahaha. "Bom, vou indo meu querido Kylle, talvez eu vá para a casa da sua irmã essa noite,então não se preocupe." "Vá com as graças da noite, querido senhor." Kylle é como um filho pra mim, filho de um amigo que morreu... ou melhor, que ainda vive, depois de morto. Hoje é dia de festa na cidade, há rumores de que estamos sendo espionados, que a Camarilla anda na nossa cola, e que logo o Sabá irá atacar um dos bairros mais ricos pra conseguir mais peões. Pego um sobretudo bem pesado, preto, de veludo, coloco por cima do colete azul e vou indo pelas ruas de 19 horas como mais um velho pedante qualquer. Gosto de evitar os mortais à minha volta, sinto dó deles, algo estranho, não sei... Enquanto caminho na rua, gosto de me conectar aos outros membros... às 19:30 em ponto, TODOS os dias, eu começo minha rádio vampírica. Eu não espalho a notícia, eu sou a notícia. Enquanto não começa a seção, converso com meus aliados dentro do círculo pra ficar à par das coisas. Hoje em dia há boatos sobre uma congregação contra nosso grupo independente. Somos uma grande confraria de vampiros mais antigos que costuma mandar nos nossos próprios assuntos sem problemas. O sabá nos vê como um posto avançado, mas sabem que nós não somos bom nem pra eles nem pra Camarilla, então eles nos deixam em paz para cuidar dos porcos como nós bem entendemos. "Michael? Michael? está aí?" - 19:20, hora de informar aos superiores o que direi. "Posso te ouvir bem, camarada. Diga, o que os sussurros da noite o trazem hoje?" "Parece que vai chegar o outono. As árvores querem botar as folhas pra fora até o fim da semana." - Quem está acima de mim nunca sabe exatamente o que falo. E quem está abaixo, não sabe nem QUEM fala. "E o que as folhas farão depois?" "Cair, oras!" "E quando chegarem no chão?" "Se chegarem ao chão, vão adubar o solo." "Entendo. Repasse a mensagem, do meu jardim cuido eu." - fim da conexão. HA! Me divirto tanto tentando ser sério com esses caras, mas agora são 19:29 é hora do show. "Alguém me ouve perto das torres SIS?" - Vamos nos divertir agora. "Alto e claro, bravo líder" - Respoderam 3 ou 4 vozes. Enquanto vou caminhando pelo território das torres SIS, as maiores torres da cidade, vou me protegendo dos mortais. Não gosto muito deles... parecem aquelas peças que não entram em lugar nenhum quando você brinca de Lego. Compro um jornal daqueles bem mortais. Cheio de desgraças, gente morrendo, sangue pra todo lado... vampiros espertinhos de hoje bebem direto dessas folhas sem ninguém se tocar disso! Haha. "Coelho na toca da raposa. Repito, Coelho na toca da raposa." - ADORO códigos que não dizem simplesmente NADA. "Sério? Tem certeza bravo líder?" "Sim, absoluta. Preparem as redes porque hoje vamos comer ensopado de tartaruga." "Ok bravo líder, vamos repassar a mensagem." - Fim da conexão nas torres SIS. Agora é vou pro shopping, de carona.Entro no carro de qualquer motorista desavisado: "Dirija!" Incrível como um velho se impõe hoje em dia na sociedade! Entrei no carro e ele quis dizer: "Quem é você?" Eu o interrompi dizendo: "Cale-se" Ele nem me perguntou aonde eu ia, ele só olhou no retrovisor e eu olhei com um olhar de quem ia pro shopping e ele me levou exatamente onde eu queria. As ruas da cidade não tem graça nenhuma pra mim, como vocês já devem ter percebido. Não gosto de ficar falando dessas coisas de mortais... Só frescuras... Só frescuras. No shopping começo a comunicação em massa: "Mensagem de hoje para todos os ouvintes: Fujam, seus tolos." "Mensagem recebida senhor!" AHhh... como é bom manipular a massa. Assim continuo minha noite até às 20:34, quando combinei de encontrar com Lurya e aquele rapaz chamado Will. Vou falando várias mensagens idiotas em várias línguas por vários lugares. No fim, estão todos sob meu poder e meus desejos. Isso tem seu lado ruim e seu lado bom. Mas rir da idiotice deles é tão deliciosamente apetitoso, mais até do que o beijo mortal. O grande mau é esse: Até o fim da semana um grupo de caçadores virá. Provavelmente Brujahs só recebendo ordens... Ser caçado não é nada bom, mudo de rosto e endereço pelo menos 2 vezes por semana. Às vezes no mesmo dia. Mas conviver nessa maldita cidade com tantos podres não é para qualquer um. Quando eles puderem finalmente enxergar a verdade, será tarde demais...

~ Sincere Opening.

Olá.

Este será o local onde será publicado uma história, ou uma simples aventura fictícia com fortes bases no jogo de RPG Vampire, The Masquerade. Qualquer comentário construtivo será levado em consideração porém, desde já avisamos que, não teremos 100% de fidelidade às regras pré-estabelecidas pelo livro [qualquer que seja a versão]. Não seguiremos cronologia de jogo atual então qualquer correção referente à isso será ignorada.

O principal intuito disso é a diversão de 3 seres humanos saudáveis e que sim, possuem vida social, amigos e as demais coisas que um ser humano normalmente tem como forma de diversão. Qualquer lucro [não necessariamente falando de dinheiro] será, também, muito bem recebido.



No mais, agradecemos pela sua atenção.



~ Lurya.























...Táá, vai! Claro que não é isso tudo de formalidade.



Falando sério agora.

Eu [Diose], Suna e Renato iremos simplesmente criar um história, ou crônica de Vampiro, A Máscara por pura diversão e hobbie mesmo.

...Não que o que eu disse alí em cima é mentira porém, eu estava encarnada por minha futura personagem, Lurya, e acabei abusando da formalidade.

Enfim:

-Eu serei Lurya [209 anos totais];

-Suna será Viktoor D'Kranmps Avoulére [161 anos];

- e Renato será Will Revan [178 anos].



Despensadas as descrições de personagens. Elas ficarão bem distribuídas no meio do contexto.



...Até aqui é só.



Espero que quem perca o tempo lendo [porque será muita coisa!], se divirta.



Valeu;

Beijos.