Ah o pôr-do-sol, o momento em que o sol se esconde atrás do horizonte, o momento em que os filhos de Caim acordam e se preparam para mais uma noite como todas... Uma noite inacabável e imortal, uma noite que será igual à de ontem e que será refletida no amanhã. Gosto de acordar sempre antes do anoitecer e ficar esperando as sombras na sala dominarem o local e transforma-lo em uma única escuridão.
O Pôr-do-sol tem algo mágico, algo que me fascina, vejo-o todo dia a décadas e nunca me enjôo. Logo que anoitece saiu na minha sacada para ver lentamente a luz de cada estrela aparecendo, que por todo o dia foi ofuscada pela grande luz do sol. Ah o sol, antes tão inofensivo e agora tão mortal... Lembro-me quando caminhava com Helen nos longos campos de grama de seu pai... O sol do meio-dia queimava em nossas cabeças enquanto procurávamos por uma arvore grande que pudesse nos abraçar com sua sombra. Ficávamos sentados, conversando de assuntos alheios e sem importância, se eu soubesse o que viera a acontecer com ela teria contado-a o quanto a amava e o quanto a queria.
Lembro-me da ultima vez que nos vimos, ela estava vestida com um lindo vestido vermelho que brilhava na noite escura, seu batom destacava seus lindos olhos verdes que faziam um apaixonante contraste com seus cabelos negros soltos encaracolados. Ela veio até min com um sorriso estampado no rosto e me deu uma noticia tão boa e ao mesmo tempo tão ruim. "Vou me casar com Tom". Aquelas palavras me mataram por dentro, se eu soubesse o que aconteceria com ela teria a impedido. Eu sabia o quanto ela o amava, não pude fazer nada a não ser aceitar sua felicidade e minha tristeza.
E como no pôr-do-sol, a beleza de Helen se apagou. Lembro-me de como me desesperei a vê-la morta no chão de seu quarto. Ainda me lembro do cheiro de sangue invadindo o cômodo, me lembro da cortina balançando abrindo espaço para que o vento frio entrasse no quarto. Ainda podia ouvir os passos de seu assassino na grama, fugindo para longe, sem muito esforço o alcancei, sim, naquela época já não era mais como ele e Helen, era como sou hoje. Quando vi seu rosto, o ódio tomou conta de min e só me lembro de acordar em cima de um corpo despedaçado e ensangüentado, ainda posso lembrar de como me senti quando vi o sangue na minha mão.
Essas lembranças não querem sair da minha mente, por mais que eu queria manter somente na memória as boas cenas com Helen, as cenas em que ele acena para min longe no horizonte com seu sorriso esperando minha chegada.
Meu esforço continua, quero um dia poder voltar a ser o que era antes e tentar desfazer tudo que fiz e que deixei de fazer, mas por enquanto preciso me arrumar, encontrarei com novos amigos que conheci umas noites atrás. Quem sabe eles me ajudem ou quem sabe eles são apenas como eu, um solitário que procura uma cura para uma doença que não existe enquanto assiste o pôr-do-sol.
sábado, novembro 03, 2007
O Pôr-do-sol
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Um comentário:
eu queria ter falado também... T.T
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